Vayigash

Gênesis 44:18-47:27

Edgard Leite

A história de José é uma história de perdão. Não é de se espantar que esse seja o maior e o mais relevante destino de José: o perdão. 

Todo processo de aceitação contido nas mutações e reviravoltas de sua vida implicavam em perdão. 

“Deus me fez esquecer”, “Deus me fez crescer” (Gn 41: 51-52) é um mote de libertação interior que torna visível qual deve ser a atitude humana diante da vida, na visão de Deus.

E assim, num momento de redenção, José “levantou a sua voz com choro, de maneira que os egípcios o ouviam e a casa de Faraó o ouviu. 

E disse José a seus irmãos: eu sou José, vive ainda meu pai?” (Gn 45: 2-3)

Há salvação para o homem sem perdão e ternura? José não recrimina ninguém. Não acusa, não promete vingança. Se revela, para se lembrar de seu pai. 

O elemento da ternura aponta para a generosidade como horizonte humano essencial.

E só assim, então, ele continua:

“Eu sou José vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora pois não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá, porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45: 4-5).

Coisa que explica melhor adiante:

“Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus” (Gn 54:8).

Na verdade, segundo José, não há males na vida que não contenham em si uma mensagem, um sinal de Deus na direção do bem do homem. 

Os seres humanos, nas relações que estabelecem entre si, expressam as vontades e inspirações de Deus. Nada a Ele foge, porque contém em si o passado, o presente e o futuro.

“E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre eles; e depois seus irmãos falaram com ele” (Gn 45:15)

Toda a família, que não o reconhecera, foi por ele reconhecida. E José não se importou que precisasse ele mesmo se fazer conhecer. Porque os homens dificilmente reconhecem o próximo. E seus irmãos eram seres humanos.

“E subiu ao encontro de Israel, seu pai”. “Lançou-se ao seu pescoço e chorou sobre o seu pescoço longo tempo. E Israel disse a José: Morra eu agora, pois já tenho visto o teu rosto, que ainda vives” (Gn 46: 29-30)

A aceitação adquire aqui um patamar maior: ao aceitar seus irmãos, estes o aceitam e o entendem. Cumpre-se a profecia de seu sonho. 

A aceitação dos homens, tal qual eles são, é movimento de Deus. Sabedoria. 

Quando se curvavam todos diante do sol, no seu sonho, não queria dizer apenas que aceitavam o poder de José, mas a mensagem de Deus da qual era portador.

Não há vida sem reconhecimento, sem perdão. “Deus me fez esquecer”, “Deus me fez crescer”.

E portanto, explica Deus:

“Assim habitou Israel na terra do Egito. E nela tomaram possessão e frutificaram e multiplicaram-se muito" (Gn 47:27). 

O crescimento advém da aceitação e reconhecimento do próximo, aceitação e reconhecimento de Deus.

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